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quinta-feira, 7 de julho de 2011

CADÊ O MARRECO?

Se a pergunta fosse cadê o pato seria bem mais fácil responder.  Está na música de Jaime e Neuza Teixeira, imortalizada na interpretação do grande João Gilberto (ícone da Bossa Nova),  denominada “O PATO”. Estaria, ainda, em outra composição, com idêntico nome, de autoria de Vinicius de Moraes/Toquinho/Paulo Soledade, também da mesma época. Tal pergunta agora não poderia ser respondida com tanta rapidez e facilidade.  Só não encontraríamos tal personagem com idêntica facilidade se quiséssemos localizá-lo na partida do Brasil com  a Venezuela. O famoso pato (com letra minúscula mesma, em razão de sua atuação) não chegou a ser notado com grande destaque na aludida competição.
Já o marreco – que aparece na primeira composição oferecendo-se ao pato “para entrar também no samba” – não consta do famoso elenco de palmípedes da nossa seleção. O ganso  (presente presente na música, parece que resolveu fazer “ Forfait” no campo) e foi do famoso quarteto o mais desafinado, pois não se sabe se  o cisne quer entrar nesse lago frio.
Se os tais palmípedes se entrosaram bem  na  música, seus grasnados ainda não afinaram em campo. Ainda não apareceu o marreco e muito menos o cisne. Lembramo-nos  sem saudades do “famoso” quadrado mágico de Dunga, da copa passada, que jamais funcionou à contento.  Agora, falando sério, é necessário ter paciência e esperar que Mano Menezes faça suas experiências até encontrar a escalação ideal. Afinal  boa parte dos integrantes dos convocados não se conhecem muito bem e estão desentrosados. É preciso, entretanto, cobrar do treinador  decisão rápida quando tiver  de efetuar substituições  ou mudar o esquema em face de determinadas circunstâncias.  Também devemos considerar que muitos dos selecionados vieram de contusões sucessivas e ainda não se encontram em forma física ideal ou em ritmo de jogo. Esperar, pois tal tipo de ajuste e entrosamento é o que o povo brasileiro quer ver na nossa seleção. Caso tal aconteça teremos muitas alegrias nas Olimpíadas e na Copa do Mundo.
Grandes talentos não nos faltam atualmente afora os que irão surgir neste “interregno”.  O Pato pode render muito se colocar seu talento a serviço da modéstia o mesmo podendo acontecer com o maior craque do time – o excepcional Neymar, que pode se tornar no cisne real – se resolver  “nadar de forma simples”. Não adianta querer enfeitar toda jogada e transformar cada gol numa obra de arte. A obra de arte já é o próprio gol – ainda que de bico ou de canela, como diria Dada Maravilha. Quanto ao marreco reclamado ele pode aparecer encarnado no Lucas ou em qualquer outro jovem das categorias de base.
O que precisamos, se quisermos fazer boa figura nas olimpíadas e na copa do mundo, é convocar os melhores, treinar bastante, ter espírito de luta e de união. Talento é o que não nos falta. Somos a terra de Pelé, Garrincha, Leonidas da Silva, Friederraich, Zizinho, Zico, Rivelino, Romeu Peliciari, Tim. Jair da Rosa Pinto, Ademir,  Ronaldo, Ronaldinho, Romário e tantos outros. Que o comandante Mano tenha sabedoria suficiente para receber as críticas, aproveitar as construtivas  e fazer ouvidos de mercador para as outras.
Se isto acontecer não apenas o quarteto de palmípedes, mas o total do elenco  entoará o vocal  “muito bom muito bem” – QUEM, QUEM, QUEM, QUEM.

terça-feira, 21 de junho de 2011

A FACE HILÁRIA DA CIDADE

A BENZEDEIRA

Durante muitos anos seguidos adotei a prática de pescar em um dos rios brasileiros durante o inverno, entre os meses de junho a setembro, quando não chove nas bacias
Amazônica e do Pantanal.
Pesquei nesses locais de 1970 até 2.000. A partir daí os preços de passagem de avião e hospedagem se tornaram tão caros que esse tipo de lazer tornou-se impraticável. Deslocar-se para um rio Amazônico e pescar por uma semana passou a ser mais caro do que uma viagem a Europa, com acompanhante, por idêntico período.
Da época  que realizei estes “safáris” guardo indeléveis recordações. Algumas vezes fui com Maria Amélia (Araguaia e Telles Pires), com mês filhos Marcos Flávio e Luciano, com amigos de Ilhéus, como Jaime Costa, Alciato, Álvaro Simões e meu irmão Ruy “Tatu”, com Nelson Saldanha e os proprietários do grupo Águia Branca e, na maioria das vezes, com Roberto Moreira, famoso dentista do Rio de Janeiro (já falecido), que conheci através do inesquecível amigo Carlos Oliveira Filho o popular Carlinhos “Cibica”.
Muitas das memoráveis pescarias que realizei nos famosos rios das regiões citadas foram relatadas em várias revistas de pesca, com que colaborei por muitos anos, como Pescatur, Troféu, Revista de Pesca de B.H., bem como em jornais da região e do nosso Estado.
Destaquei nessas matérias a esportividade dos tucunarés, matrinchãs, cachorras, bicudas e outros peixes de médio e pequeno porte, porém atrevidos na linha. A brutalidade das piraibas, jaús, pirararas, surubins e douradas, pirarucus, além dos grandes tambaquis e pirapitingas.
Muito mais importante até do que a própria pesca foi a oportunidade de conhecer outras regiões do nosso imenso país, seu povo, costumes, lendas, natureza, folclore e culinária.
Numa dessas viagens hospedei-me numa pousada em Ilha Regina, no rio Telles Pires, nas proximidades da desembocadura do Rio Peixoto de Azevedo, seu afluente. Além de fazer excelentes pescarias com meus filhos tive o ensejo de saber, por John Dalgas Firsh, famoso ornitólogo, que também tinha contratado uma temporada de caça e pesca, que alí nas margens do rio Cristalino existia uma famosa benzedeira, que possuía uma fazenda de gado, café e cacau, cuja principal atividade era promover curas diversas. Na fazenda atendia uma grande clientela, que acreditava ter a benzedeira poderes especiais. Era conhecida como Dona Zélia Benzedeira.
Seus poderes eram múltiplos. Iam desde a leitura da sorte, consultando as linhas da mão, as cartas de Tarô, os resíduos de pó de café que ficavam na xícara, até a cura de doenças através de rezas, chás, infusos, garrafadas, etc.
Doenças várias eram curadas com suas poções milagrosas; por exemplo: câncer com infusos preparados com casca de pau d’arco, leite de “graveto do cão” diluído em água de beber; diabetes com gravetos de pau-de-sapo, casca de sapucaia, casca de imbira, chá de folhas de pata de vaca com insulina e pau ferro; gastrite com infuso de casca de jatobá, etc. Não existia doença ou mal estar que não tivesse cura através de chás e infusos produzidos por folhas, raízes, casca e  lascas de madeira. Coisas mais simples como mau olhado, espinhela caída, quebranto e depressão logo desapareciam quando a famosa benzedeira passava o ramo, usando galhos de pinhão roxo, arruda e outras plantas. Até mesmo bicheiras no gado, picada de cobra e de “bespa oropa” (abelha africana), não resistiam às suas fortes orações.
Gozava, pois D. Zélia Benzedeira de fama plenamente justificável, pelo que muita gente a procurava na fazenda, para a cura de seus males. Além de fama D. Zélia Benzedeira acumulou fortuna.
No tratamento de dois grandes males ela se destacou – tanto no “levanta moral” quanto na cura da ferroada de arraia.
Para o primeiro mal ela preparava um infuso que consistia na seguinte receita: duas garrafas de vinho branco seco, um pacotinho de casca de catuaba, quatro gravetos de pau-de-resposta, uma porção de maripuama, frutos de jurubeba e uma colher de chá de raspas de “piroca de quati”. Os elementos eram misturados e colocados para curtir por quinze dias e a partir daí bebia-se três doses, diariamente. A recomendação especial é que a “piroca do quati” fosse raspada no sentido do pé para a ponta, jamais da ponta para o pé, pois caso esta hipótese acontecesse o efeito seria inverso.
Para o segundo caso os cuidados teriam de ser maiores. A ferroada da arraia provoca dores lancinantes. Normalmente a vítima tem que ser levada imediatamente a um pronto socorro para tomar soro, antitetânica, fazer rigoroso curativo, tomar anti-inflamatório, antibiótico, antitérmico, etc., pois ao ferir a vítima a arraia injeta uma secreção venenosa través de seu ferrão.
Ocorre que na maioria dos rios da bacia Amazônica existem algumas espécies de arraias, adaptadas ao regime fluvial, que costumam ficar na parte rasa do rio, parcialmente escondidas na areia ou na lama, todas elas possuidoras de ferrão. Quando alguém desavisadamente pisa numa delas recebe imediatamente a dolorosa ferroada. Longe da cidade a única maneira para tratar do ferimento é recorrer aos santos serviços de D. Zélia Benzedeira.
O tratamento consiste no seguinte: a vítima da ferroada vai diretamente até a fazenda da benzedeira ou manda buscá-la para que faça uma aplicação direta da sua genitália (xibiu) no local afetado. Segundo se propaga em toda a região D. Zélia e outras benzedeiras famosas segregam na genitália determinados humores que em contacto direto com o local injuriado produzem um efeito anestésico e cicatrizante. Quando o acidentado chega a famosa Benzedeira coloca diretamente o xibiu no local afetado e deixa que os santos untos realizem o milagre de  minimizar a dor e permitam a cicatrização. Embora a dor passe quase imediatamente (cerca de meia hora) a cicatrização só se realiza alguns dias depois, com a renovação do tratamento. Quando o ferimento ocorre em local difícil de receber a aplicação direta D. Zélia usa um expediente bem interessante: manda colher algumas folhas do “olho” da umbaúba branca, umedece no xibiu e aplica no local afetado, produzindo o mesmo efeito. Em alguns casos, quando o cliente fica em sua própria casa e a Benzedeira não pode se deslocar até lá utiliza-se essa alternativa. Também a segunda hipótese funciona quando a mulher do injuriado é muito ciumenta – lá vai a folha do broto da umbaúba branca impregnada dos santos untos de Dona Zélia Benzedeira.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

A FACE HILÁRIA DA CIDADE

O JURADO


 A figura enfocada no presente capítulo é, sem qualquer dúvida, uma das mais notáveis da história de Itabuna. Trata-se do Coronel Tertuliano Guedes de Pinho – o Cel. Terto – cidadão altamente conceituado na vizinha cidade e dono de respeitável fortuna.
O cel. Terto era proprietário de uma enorme fazenda situada entre Itaju do Colônia e Itauna (hoje Itapé), com mais de dez mil hectares, produzindo cerca de vinte mil arroubas de cacau e com mis de dez mil cabeças de gado (leiteiro e de corte), na localidade Riacho de Areia. Além desta fazenda possuía duas outras situadas nos arredores de Itabuna. Uma, a Burundanga, que ficava à margem direita do rio Cachoeira, estendendo-se para os lados de Itapé, onde construiu um imponente palacete (sua casa residencial) e onde hoje se situa o campo de aviação  e a outra, à margem esquerda, onde hoje está implantado o bairro São Caetano .
Embora de cor negra, o coronel era altamente prestigiado pela sociedade local e em toda a região. Participava ativamente das atividades sociais e políticas, sendo considerado um progressista. Super educado e com a fortuna que possuía não tinha dificuldades em arrumar algumas aventuras amorosas fora do casamento. Embora discreto, mantinha um bom número de amantes.
Participava de todos os acontecimentos sociais importantes da cidade e da região, além de manter importantes  contactos com políticos, inclusive interventores  estaduais (governadores estaduais), nomeados pela presidência da república (período da ditadura), deputados  e senadores. Nas campanhas políticas seu apoio era decisivo, pois além da ajuda financeira utilizava seu prestígio pessoal, influenciando seus amigos e pessoas que lhe deviam favores.
Integrava a relação de jurados, que eram pré-selecionados entre as pessoas notáveis de Itabuna. Aliás, já havia algum tempo que não se realizava uma sessão de júri na cidade. Um novo magistrado foi promovido para a vara crime e logo cuidou de marcar uma sessão especial, de julgamento de réus cujos  processos  estavam  concluídos . Entre os processos constava um de um  jovem que cometera um  crime de homicídio, de grande repercussão. No dia do julgamento desse caso o Cel. Terto chegou cedo à sala do júri, procurou os advogados de defesa e o promotor público – com quem mantinha excelente relacionamento - e lhes pediu que o recusassem, caso fosse sorteado. Procedido o sorteio o coronel entrou no rol dos jurados sem que a acusação e a defesa o recusasse.
Antes da leitura do processo e ouvida de testemunhas o cel. Terto levantou-se e dirigindo-se ao juiz solicitou sua dispensa do encargo. O magistrado respondeu-lhe que não poderia dispensá-lo nem a qualquer outro jurado, a não ser que estivesse legalmente impedido de funcionar.  É este o meu caso, disse o coronel. Qual é o seu impedimento? Retrucou o juiz. Infelizmente eu não posso declarar o motivo (disse o coronel). Imaginando que o jurado não conhecia bem os impedimentos de natureza legal, perguntou o magistrado: “O senhor é parente até terceiro grau, amigo íntimo ou inimigo do réu ou da vítima?” Não Meritíssimo “(respondeu).” Tem interesse econômico ou moral no deslinde da causa”. (reinquiriu?). Não senhor Juiz (tornou a responder o coronel). “Então V.Sa., não tem qualquer tipo de impedimento legal” (disse o juiz).” Tenho sim” – retrucou o coronel. Irritado o juiz disse: “O senhor quer dizer a mim quais são os impedimentos legais? Eu sou o juiz e ninguém sabe melhor que eu este assunto. O senhor não está impedido coisa nenhuma. “Diga qual é o impedimento ou mando lhe prender”. Senhor juiz eu não estou duvidando do seu saber  ou desfazendo da sua autoridade. O Tribunal de Justiça da Bahia não promoveria para uma comarca importante como a de Itabuna um juiz que não fosse competente, culto e com experiência. Em nenhum momento coloquei em dúvida o saber ou a autoridade de V. Exa., porém  reafirmo – estou impedido de funcionar como jurado, neste processo. Mais irritado ainda o juiz determinou ao oficial de justiça e a um policial, que se encontravam no recinto, que prendessem e conduzissem o coronel à Cadeia Pública caso ele não dissesse, em voz alta, qual era seu impedimento. O coronel  Terto levantou-se e disse: Senhor Juiz, vossa excelência poderia ter-me poupado deste vexame e do mal estar que a minha declaração vai causar. Por favor não entenda como desrespeito. Repito, estou impedido. EU COMO A MÃE DO RÉU.    

sexta-feira, 10 de junho de 2011

CURSO DE CULINÁRIA

A solenidade de encerramento do curso de culinária, de peixes e frutos do mar, promovido pela MARAMATA, sob a orientação deste blogueiro, ocorreu ontem, dia 09/06, às 19hs, no restaurante Dom Eduardo, no Parque de Exposições. Compareceram ao ato festivo o prefeito municipal Newton Lima, o vereador Marcos Flávio, representantes da imprensa regional e convidados dos catorze concluintes do curso. O prefeito municipal procedeu a entrega dos diplomas e brindes (conjunto de facas) oferecido por Supermercados Meira e encerrou a parte formal da solenidade. Usaram da palavra o monitor do curso, os alunos Dra. Nélia Maria Santos de Oliveira Hudson (juíza do Trabalho) e Walmir Rosário (Assessor de Imprensa do Município de Ilhéus) e o prefeito Newton Lima. A seguir foi servido um jantar preparado pelos concluintes do curso, composto de quatro entradas e um prato principal: Guacamole com camarões (cozinha mexicana), Ceviche de peixe (cozinha peruana), Iscas de peixe com molho Bourguinone (cozinha francesa) e Crostine de frutos do mar (cozinha italiana); o prato principal foi a tradicional Moqueca de arraia com banana-da-terra cozida e pirão de farinha de mandioca com camarões cozidos. Um novo curso, sob o mesmo tema, tem seu início previsto para o mês de julho. As bebidas foram patrocinadas por C.M. Distribuidora de Bebidas Ltda. As aulas do curso ocorreram na cozinha do Restaurante Don Eduardo, onde também aconteceu a solenidade de encerramento.
 Um novo curso está previsto para ter início no mês de julho. As matrículas serão encerradas no dia 27 e haverá reunião com os alunos no dia 29 do corrente para definir dias, horário e cardápio.  O proprietário do Hotel Jardim Atlântico (o amigo Júnior) franqueou as dependências do aludido hotel para a realização do curso.
 Após o encerramento do segundo curso serão abertas para um novo em local a ser escolhido. No próximo ano haverá novos cursos versando sobre carnes, aves, massas e caças (animais silvestres criados em cativeiro ou a oficialmente permitida pelo IBAMA).
A MARAMATA estará discutindo com o prefeito a possibilidade de implantar curso especial de música instrumental, voltado para jovens estudantes de baixa renda bem como a formação de um coral. Estarei estabelecendo contacto com o maestro Leto Nicolau visando sua colaboração para tal iniciativa que, sem qualquer dúvida,  contribuirá para estimular a formação de novos talentos da nossa Cidade. Tal tipo de atividade, também, está prevista no item I do Art. 2º, Capítulo II, do Estatuto da entidade.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

OS INVENTORES DE VERDADES

O GATO PESCADOR

Hoje vamos focalizar uma historia interessantíssima que me foi contada por Cláudio, ex-gerente da náutica do “Iate”, quando do retorno de uma pescaria exitosa realizada na Beirada da Canoa.
Cláudio fez o seguinte relato: “Meu pai era administrador de uma fazenda, nas margens do rio Almada, antes de Aritaguá. Havia na margem do rio uma extensa área manguezal que adentrava boa parte da terra firme. Além do trecho normalmente inundado havia outra parte aonde a água só chegava por ocasião das enchentes das marés, especialmente nas de águas vivas, isto é, nas marés de lua nova e de lua cheia. Como vocês bem sabem os manguezais além de funcionarem como filtros, melhorando a qualidade da água, também realizam a função de berçário de diversas espécies ictiológicas e de área de alimentação. Durante as enchentes das marés muitas espécies de peixe os adentram para alimentar-se, inclusive de peixes de pequeno porte. É muito freqüente após a rápida descida das águas (nas vazantes das marés) alguns peixes que perdem o “time” ficarem aprisionados em pequenas poças d’água e se não forem auxiliados por pessoas que os devolvam ao curso do rio terminam por morrer. Quando quem os encontra nesta situação não tem consciência ecológica seu destino é a panela.
Pois bem, meu pai era um homem rústico que não teve a oportunidade de ser educado com tal tipo de conscientização e caso encontrasse um peixe nesta situação normalmente o levaria para casa, para melhorar sua dieta de proteínas. Além disso, havia um fato muito interessante. Meu pai tinha um gato preto, muito esperto cujo nome (coincidentemente) era Bichano. Este gato desenvolveu uma enorme habilidade. Todas as vezes que ocorria uma maré grande, com inundação da área interna do manguezal, ele se deslocava até lá e caçava os peixes (especialmente tainhas) que ficavam aprisionados nas poças. De início Bichano apenas comia os peixes até se fartar, porém depois meu pai passou a acompanhá-lo exatamente quando a maré começava a vazar e pegava o excedente das capturas realizadas. Com a prática Bichano adquiriu o hábito de levar para casa o excedente de suas pescarias, independentemente da presença de meu pai. As habilidades de Bichano não ficaram por aí, seu organismo desenvolveu um sentido especial que se manifestava por ocasião das conjunções das luas nova e cheia.
Bichano, exatamente na véspera, dia exato e seguinte, quando ocorrem as marés de grandes amplitudes, ficava com os pelos eriçados e miava repetidamente, como se estivesse convidando uma parceira no cio para as labutas da reprodução. Por volta das nove e meia da manhã e das vinte e trinta da noite (hora da baixa-mar) Bichano já estava perto das poças, para retirar os peixes descuidados. Claro que não saia de casa na hora exata, tomava a cautela de dirigir-se para os locais de captura cerca de uma hora antes, pois poderia ocorrer um maior ou menor volume de água, a depender da força dos ventos. Além disso, alguns locais secavam primeiro e ele não queria perder espaço para os guaxinins e as raposas, que também pegavam peixes, eventualmente.
As habilidades halieuticas de Bichano se desenvolveram da tal maneira que ele além de levar sempre o excesso de suas pescarias para casa, passou a fazer sinal para meu pai, para acompanhá-lo, sempre que havia excesso de peixes. Desse modo a colaboração para aumentar o estoque de alimentos em casa de meu pai passou a ser tão grande que houve necessidade de salgar os excessos, para fins de conservação.
A habilidade de Bichano passou a ser essencial para a economia de meu pai, que passou a dispensar-lhe cuidados especiais: visitas ao veterinário, medicação especial, quando necessário, comida balanceada, etc. Tudo necessário e até mesmo coisas supérfluas passaram a constar das atenções para com Bichano.
Além disso, visando melhorar ainda seu desempenho, meu pai desenvolveu uma panacéia específica para as unhas de Bichano. Retirava tintura da casca do mangue vermelho, misturava com leite da mangabeira, resina de eucalipto e mais dois outros elementos que mantinha em segredo. Este preparado era aplicado nas unhas de Bichano e elas ficavam mais longas, fortes, afiadas e um pouco mais recurvadas e bastante duras (à semelhança de um anzol forte e bem afiado).
Quando Cláudio acabou de contar as façanhas de Bichano eu passei ter um interesse especial na panacéia. Eu mesmo, caminhando para os oitentinha, poderia beneficiar-me do novo enrijecedor, sem submeter-me ao risco de óbito (com tem ocorrido com freqüência com os usuários de alguns estimulantes). Além do uso pessoal eu pretendia  patentear o produto e passar a fabricá-lo. Afinal de contas esta seria a grande oportunidade de voltar a ser rico, depois da derrocada do cacau, com o advento da vassoura-de-bruxa.
Pedi a Cláudio de me apresentasse a seu pai, pois pretendia propor-lhe o negócio pessoalmente. Claudio deu-me então uma desanimadora notícia. Seu pai havia falecido há dois anos e não revelara a formula do enrijecedor  de unha a ninguém.
Fiquei profundamente triste com a notícia pois além de perder a oportunidade de voltar a ser rico deixei, também, de proporcionar aos sexagenários a chance de voltar a desempenhar o salutar esporte, conhecido como atletismo de alcova, sem os riscos de morrer num motel após vacinar-se com um comprimido “azulzinho”.

terça-feira, 24 de maio de 2011

ESPAÇO VERDE

LIXO

Uma das grandes preocupações do mundo moderno é com a produção exagerada de lixo e sua disposição final. A ausência de cuidados especiais, inclusive a falta de aplicação de tecnologias  adequadas, resulta na ocupação tumultuada de áreas próximas de importantes centros urbanos (tornando-as insalubres) além de poluir rios, o mar e contaminar o lençol freático.  Até mesmo o manejo bem feito, com o estabelecimento de aterros sanitários que atendam as normas recomendadas, implica na inutilização de áreas que poderiam ser utilizadas na expansão urbana.
Muitos países do mundo já estão utilizando técnicas modernas de manejo, com reutilização de grande parte dos rejeitos e transformação de vários elementos altamente tóxicos e contaminadores em gazes que podem ser utilizados em vários setores da indústria. Tal processo resulta de superaquecimento provocado por reatores. Este processo é chamado de tochas e no ano passado foi feita uma demonstração na UESC, por uma empresa de São Paulo. À medida que a temperatura vai se elevando alguns tipos de gás vão sendo liberados e aprisionados.  Tais gases tem utilização variada em determinado tipo de produtos industrias.
Baixemos, entretanto à nossa realidade. Não temos sequer um aterro sanitário funcionando de modo adequado. A CONDER está colaborando com a Prefeitura de Ilhéus tentando transformar o lixão do Itariri num aterro sanitário, porém o projeto está sofrendo grande atraso. Mesmo que o aterro venha a funcionar corretamente ainda assim teremos grandes problemas. Manejo de lixo é muito caro e não depende apenas do poder público. Coleta seletiva ou no mínimo discriminada (separar o orgânico do reutilizável ou reciclável) não se implanta sem efetiva participação e colaboração da comunidade.  Projetos desta natureza devem ser precedidos de amplas campanhas educativas, inclusive utilizando-se os espaços institucionais nas rádios, jornais, televisões e hoje, especialmente, na INTERNET.
Se quisermos colaborar com o poder público deveremos separar todo o lixo orgânico e se possível  fazer compostagem em nossos quintais. Caso não possuamos tal espaço separá-lo para que o município tome tal providência em seu aterro. Tal técnica necessita ser imediatamente implantada nos distritos e povoados, já que a administração municipal não dispõe de patrulhas mecanizadas em tais áreas.  Por outro lado, nas áreas rurais praticamente todos os moradores possuem quintais nas suas residências.  Na minha casa e no meu sítio já uso tal método há muito tempo.
Em futuras matérias estaremos orientando nossos conterrâneos a fazer compostagem e reutilizar óleo de cozinha.  

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A FACE HILÁRIA DA CIDADE

O ESTIVADOR

O antigo porto de Ilhéus, situado na enseada do rio Cachoeira recebeu, durante um considerável período, navios de grande porte, tanto de passageiros como cargueiros, até que a barra do morro de Pernambuco sofreu considerável assoreamento, inviabilizando o acesso. Os cargueiros, em sua maioria, eram de bandeira sueca, embora outros americanos, russos, holandeses, etc., também aqui aportassem. Tais navios transportavam especialmente cacau para a Europa. De um modo geral todos esses navios eram chamados pela população de suecos, independentemente das suas nacionalidades.
O personagem principal enfocado nesta história é o ilheense Oseas, mais conhecido pelo apelido de SUECO. Ele era um dos mais de vinte filhos de prolífico cidadão que se relacionou com várias mulheres. O próprio Sueco dizia desconhecer todos os seus irmãos e contava uma passagem superinteressante. Dizia que seu pai tinha tantas mulheres que uma delas era ao mesmo tempo sua mãe e sua irmã, e explicava: “Meu pai relacionou-se com uma mulher que já tinha uma filha, quase da minha idade. Rompeu tal vínculo e passou a viver com a enteada. Desse modo a esteada que era minha “irmã” ao mudar de “status” passou a ser minha “mãe”.
O apelido sueco deveu-se ao fato de Oseas na adolescência frequentar o cais do antigo porto e relacionar-se com os marinheiros dos diversos navios, prestando-lhes vários favores. Vendia ou trocava whisky por álcool (os russos, especialmente, só gostavam de bebida forte e chegavam a beber a bebê-lo com 90º. Além disso, os levava para o brega (Rua do Dendê e do Sapo) onde servia de intérprete). Foi desse modo que aprendeu a falar inglês e que ganhou o famoso apelido. Tornou-se tão conhecido entre os marinheiros estrangeiros e até mesmo da oficialidade que conseguiu embarcar como clandestino num navio de bandeira americana e chegar aos Estados Unidos. Lá conseguiu seu primeiro emprego num restaurante, onde começou descascando batatas e fazendo outros serviços como auxiliar de cozinha, passando a cozinheiro e garçom, Este restaurante tinha uma peculiaridade. Eram os próprios funcionários responsáveis pela apresentação dos shows. Desse modo Sueco aprendeu a sapatear, tocar piano, bateria e a imitar cantores famosos como Bing Crosby, Perry Como, Frank Sinatra, Tony Benett, Frank Lane, Billy Eckstine, Louis Armstrong e Gene Kelly. Contava que lutou na guerra da Coréia como voluntário. Após a guerra veio para Santos, onde entrou para a estiva.
Eu o conheci aqui em Ilhéus, na época do jogo, que funcionava nas boates do Ilhéus Hotel, O.K., e Vogue. Onde ele estava sempre havia uma grande concentração de pessoas ouvindo atentamente suas histórias. Ele dramatizava as narrativas, fazendo gestos largos, expressões faciais correspondentes à sua atuação ou de qualquer outro personagem da história, franzindo o cenho, escancarando o sorriso, fingindo chorar, dando rasteira, soco, pontapé, escorregando, fugindo, etc. Cada passagem era interpretada até com voz especial para cada participante da história. Outra peculiaridade digna de menção é que ele quando contava qualquer caso em que era personagem sempre levava desvantagem. Se era briga, apanhava, em negócio, tinha prejuízo, com mulheres sempre era passado para trás. Sem contar vantagem conseguia sempre atrair simpatia dos seus ouvintes. Na boate “OK” sempre o encontrava ou após o término do show costumava jantar no seu restaurante Blue Moon, na Rua do Sapo.  O aludido restaurante só preparava filé mignon com acompanhamentos diversos. Os principais pratos eram o “Tornedos à Rossini”, “Chateaubrind”, “Scalopini”, “Poivre ao Madeira” “À Oswaldo Aranha” e “Roncolho” (este era uma filé com fritas, arroz e apenas um ovo). Os pratos eram preparados por ele mesmo, que tinha uma habilidade enorme para apresentar inovações, especialmente na feitura de batatas. Foi a primeira vez que vi batatas “Rostie” além de outras variedades que não conhecíamos por aqui.
Quanto a maneira de trajar era também bastante original e exótico. Seus ternos eram normalmente de cores claras (branco, creme, cinza, lilás, etc.), os tecidos eram o linho, rayon, “Palm Beach” e “Panamá”. As gravatas eram bem espalhafatosas, com motivos havaianos: mulheres nuas, coqueiros, sufistas e coisas do gênero. Quando trajava esporte usava “jeans” e camisas do gênero das gravatas. No bolso do paletó pendia sempre um lenço que mais parecia uma gaivota em pleno voo – lembrando o saudoso Nagib Daneu.
Foi mais ou menos nessa época que apareceram por aqui George Green (famoso cantor panamenho, de calipso, salsa, merengue e outros ritmos caribenhos) e sua companheira, a portenha Anita, que era dançarina solo. Ambos se apresentavam na “OK” em shows separados e tinham uma legião de fãs. Após concluir o tiro de guerra fui estudar no Rio de Janeiro e morei na Rua Paula Freitas, no ap. nº 509, do Edifício Newton, passando a vir a Ilhéus apenas nas férias, onde encontrava ocasionalmente Sueco. No mesmo prédio em que eu estava morando no Rio, moravam George Green e Anita, no apt. 705. George se apresentava às noites do “Scotch Bar” e também integrava o show da Boate Night and Day, dirigido pelo  famoso Carlos Machado. Num determinado dia eu voltava para casa e saltei de um lotação na esquina da N.S. de Copacabana com Paula Freitas, quando encontrei Sueco no boteco “Caruso”. Ele fez uma festa enorme e me convidou para tomar um chope, dizendo ter muitas novidades para me contar. Começou a narrativa: “Olha Antônio, outro dia encontrei aqui mesmo nesta esquina Anita, a mulher George Green. Convidei-a para um chope e batemos longo papo. Perguntei-lhe por George e ela me disse que estavam separados. Ele estava morando com uma mulata, passista da Portela, que também se apresentava no show de Carlos Machado.” Depois de bebermos vários chopes ela me convidou para beber um “Cuba Libre” em seu apartamento. “Lá chegados serviu os drinques e ligou o som, colocando discos de música caribenha (mambos, rumbas, guarachas, salsas, calipsos, merengues). Bebemos bastante dançamos. Em determinado momento, quando estávamos sentados no sofá da sala ela, absolutamente de inopino, pegou meu bilau e beijou no capricho. Eu tomei um grande susto, porém logo me recompus. Por uma questão de princípio não gosto de ficar devendo favor a ninguém. Fiel aos meus princípios, BEIJEI-LHE A XERECA.       

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A FACE HILÁRIA DA CIDADE

O BRINDE
Na famosa fase áurea do cacau os coronéis (da Guarda Nacional) desfrutavam de enorme prestígio. Nenhum evento importante se realizava sem a presença de alguns deles, que eram convidados especiais. Até mesmo em festas de casamento, noivado, aniversários, qualquer tipo de comemoração pública ou particular, não se dispensava a presença deles.
Numa determinada festa de casamento, sem qualquer consulta prévia, os pais dos nubentes anunciaram que o coronel Brederodes faria um brinde ao novel casal. Ocorre que o aludido coronel era semianalfabeto tendo, consequentemente, enorme dificuldade de falar em público, principalmente de improviso. Entregaram-lhe a taça de champanhe e na hora de falar lá vem a dificuldade. Querendo dizer que a missão que lhe foi confiada era muito árdua e que tentaria superar as dificuldades para desincumbir-se do honroso encargo, começou: “Dura, dura, muito dura. Espinhosa, espinhosa, muito espinhosa.” Queria dizer que a missão era difícil, enquanto esperava que lhe viesse inspiração para formular a mensagem. A inspiração, entretanto, não chegava e ele continuava: “Dura, dura, muito dura. Espinhosa, espinhosa, muito espinhosa.” Ao repetir pela terceira vez o refrão: “Dura, dura, muito dura. Espinhosa, espinhosa muito espinhosa”, foi surpreendido (ele e todos os circunstantes) com a intervenção do irreverente e desbocado Coronel Eustáquio Fialho, (que raramente estava sóbrio), que “berrou” bem alto: “ISTO É PICA DE GATO”.
Desnecessário será dizer que a recepção acabou em confusão e briga.

A SUBLIME ARTE DE DIZER BESTEIRAS

CAUSOS DE GABRIEL
Eleito deputado estadual Gabriel notabilizou-se pela maneira folclórica de apresentar seus discursos, indicações, requerimentos e projetos de lei. Quando ocupava a tribuna os assessores e demais funcionários lotados nos gabinetes dos outros deputados apinhavam-se nos balcões para ouvi-lo. Certa feita ele apresentou um projeto de lei, que considera de grande importância, e pediu aos seus colegas de bancada que o apoiassem. A liderança da oposição negociou com a bancada governista, que se comprometeu a aprovar o projeto de Gabriel, caso aprovássemos a relação de conselheiros (Conselho de Cultura do Estado) remetida pelo Governo do Estado. Firmado o compromisso a oposição votou favoravelmente na relação dos conselheiros do governo, porém o Governador do Estado fechou questão em relação ao projeto de Gabriel, alegando que lhe era prejudicial politicamente. Apenas o líder do governo votou a favor – o líder da época era o deputado Luiz Eduardo Magalhães – que alegou que assumira o compromisso em nome da bancada. Revoltado com a posição assumida pela situação Gabriel foi à Tribuna e baixou “o pau” nos governistas, acusando-os de carneiros do Governador – João Durval Carneiro. Raimundo Sobreira, que era seu grande amigo, quis justificar sua posição alegando tratar-se de questão fechada, do ponto de vista partidário, e solicitou um aparte. Gabriel negou o aparte dizendo: “Não concedo aparte nenhum; V.Excia., é um Judas Carioca”.
De outra feita ele apresentou uma indicação solicitando do governador providências nop sentido de recuperar um trecho de uma rodovia entre duas pequenas cidades onde ele tivera expressiva votação. Como o presidente da Assembléia Legislativa era seu amigo e levou a matéria à votação ele o procurou e perguntou-lhe a razão daquela atitude. O Presidente respondeu-lhe que “era para evitar constrangimentos”. Constrangimento Cuma? Perguntou. O problema é que a indicação estava plena de erros de português e o Presidente quis evitar o desgaste do colega, porém, delicadamente, disse; ”Olha Gabriel ainda que nós deputados votássemos favoravelmente e Governador não teria condições de atender seu pedido”. Como assim? A estrada só tem dezessete quilômetros e o investimento era muito pequeno. O Presidente finalizou: “Não seria possível conseguir o material específico em quantidade suficiente, você pediu para ENCASCARALHAR a estrada”.

terça-feira, 17 de maio de 2011

A SUBLIME ARTE DE DIZER BESTEIRAS

OS IRMÃOS CUMA

Ferdinando e Gabriel Gonçalves notabilizaram-se na região de Gameleira e seu entorno pelo besteirol, principal característica de seu modo de falar. Entre outras coisas perguntavam: “Cuma”? Ao invés de Como?. Daí o apelido do sobrenome.
CAUSOS DE FERDINANDO

Ferdinando construiu uma mansão numa das suas fazendas e, impressionado com a piscina com ondas de Brasília, instalou uma na área de lazer da imponente casa. Querendo dotar a nova construção de decoração adequada convidou o escultor Raimundo Teixeira e o incumbiu de tal mister. Raimundo falou-lhe: “Olha Ferdinando eu sou apenas escultor, portanto poderia apenas responsabilizar-me pela feitura de algumas esculturas, para decorar alguns ambientes da casa. Quanto à decoração propriamente dita, você deverá procurar um especialista, de preferência que lhe conheça bastante; para que possa adequá-la à sua maneira de viver – ao seu estilo. Caso queira contratar algum estranho tenha o cuidado de convidá-lo para passar pelo menos uns quinze dias consigo, para que ele possa perceber seu gosto e seu modo de viver. Só dessa maneira ele poderá decorar sua mansão adequadamente. Não tomando tal cautela corre o risco de a decoração sair ao gosto do decorador e você sentir-se um estranho na sua própria casa. A decoração perfeita é aquela que reflete o gosto, a personalidade e a maneira de viver do dono da casa.
O que eu posso fazer é ajudá-lo na aquisição de algumas obras de arte. Por sinal no próximo dia 16 haverá um leilão de obras de arte em São Paulo e, caso você queira, posso ajudá-lo na aquisição de algumas peças.
Chegando ao local do leilão Raimundo recomendou-lhe muita cautela, pois no meio de peças de valor entrava muita coisa falsificada e alguma bagulhada. Só faça qualquer lance quando eu lhe der um discreto “cutucão”. Iniciado o leilão o leiloeiro começou com um jogo de porcelana chinesa da Dinastia Ming, seguiu-se uma escultura etrusca, vasos da civilização Minóica, tapetes persas, etc. Ferdinando olhava para Raimundo que continuava impassível (não gosta das peças apresentadas). A determinada altura o leiloeiro disse: “Senhoras e senhores, este é o momento culminante deste leilão. Guardamos esta preciosidade para o final. Trata-se de um óleo sobre tela do maior pintor clássico do mundo, nem mesmo Michelangelo Antonioni lhe igualou em talento. Além de pintor destacou-se em escultura, humanidades, de um modo geral, ciências, etc. Virando o quadro para o lado onde estavam Ferdinando e Raimundo disse: Trata-se de um Leonardo da Vinci. Neste momento Raimundo aplicou discreta cutucada em Ferdinando, que se levantou e disse: “Se Leonardo dá vinte Ferdinando dá trinta.”
De outra feita, Ferdinando pediu a Raimundo para acompanhar sua segunda esposa a uma viagem à Europa, enquanto ele ficaria fazendo campanha para deputado federal na região de Gameleira e cidades circunvizinhas como Jacarandá, Juerana, Peroba, Maçaranduba, etc. Numa determinada tarde Raimundo telefonou de Barcelona avisando que estiveram numa exposição de pintura e ele aconselhara sua mulher a adquirir uma obra de arte por preço de ocasião. A compra tinha sido feita por um preço inferior a cinco vezes o valor real – tratava-se de um valioso PICASSO. Ferdinando disse-lhe: “Olha Raimundo, eu não quero ficar por baixo nesta história não. Compre um BUCETAÇO para mim.”
Certo dia fui convidado para uma entrevista numa rádio de Gameleira – ocasião em que disputava uma eleição para deputado estadual e havia um surto de cólera morbus na região. Ferdinando estava concedendo uma entrevista sendo acompanhado por sua Assessora de Comunicação. Declarou: “Precisamos urgentemente resolver o problema desta epidemia. Temos que combater, sem trégua, o EMBRIÃO COLÉRICO. A assessora “soprou” discretamente: Vibrião Colérico. Ferdinando retrucou: Pouco importa se Embrião ou Vibrião, eu quero mesmo é destruir esta praga”.
Ferdinando estava na lanchonete da Câmara dos Deputados, em Brasília, em companhia do seu colega alagoano José Thomaz Nonô, quando pediu um pastel e um copo de leite. Partiu e esmagou o pastel colocando-o dentro do leite. Mexeu, com uma colher, e bebeu o leite misturado com os pedaços de pastel. Nonô, intrigado, perguntou: “Ferdinando, que moda é esta?”. RESPOSTA: “O médico recomendou que só tomasse leite PASTERIZADO”.